quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre a Fenomenologia


"É Preciso Voltar às Coisas Mesmas"

Isto é, voltar-se para a importância da realidade individual das coisas, evitar a contaminação das coisas pelo sujeito, pois assim estaríamos reduzindo-as a nossa própria realidade, negando a delas próprias. Desta forma, o sujeito projetaria nas coisas a sua realidade, sem conseguir analisar a realidade objetiva delas. Na fenomenologia, é preciso abandonar essa forma de pensamento parasita. O retorno às coisas mesmas propõe uma relação autêntica, verdadeira com o mundo.

De acordo com Husserl, é preciso superar o impasse da discussão sobre a primazia do sujeito em relação ao objeto na produção do conhecimento, isso não se trata de uma competição entre consciência e coisas ou sujeito e objetos. O conhecimento é algo que estrutura-se por via do sujeito, sendo construído de forma relativa ao sujeito. Essa é a realidade – ou fenômeno - da fenomenologia. Não como ela poderia ser em si mesma, pois não há como saber isso, mas como ela aparece a nós, como ela aparece ao sujeito do conhecimento. O fenômeno é o principal mecanismo de conhecimento.
Para entendermos como funciona a produção de conhecimento na fenomenologia, é preciso compreender a consciência como um movimento de estar consciente de algo. A consciência nem mesmo existe fora da relação que se apresenta como consciência de alguma coisa. Ela é um olhar perante algum objeto e não uma realidade ou um fato. Apenas isso, nada mais. É incalculável a compreensão desta concepção de consciência, pois só assim conseguimos olhar para as coisas sem parasitá-las com nosso sujeito, nossos hábitos ou crenças. Nós não apreendemos ou assimilamos o conhecimento das coisas, mas tomamos consciência dele, o percebemos, fazemos o movimento de visá-las.
O mundo não anula o sujeito procurando o definir de acordo com a sua realidade, assim como o contrário não deve ocorrer. Por isso, é preciso entender que, falando a partir de um discurso fenomenológico, a apreensão tem outro sentido, este de manter a separação entre consciência como movimento e as coisas, que, para se tornarem objeto deste ato de consciência, precisam continuar com sua realidade e autonomia. Daí, Husserl diz que este modo que a consciência visa as coisas é a intencionalidade do ato de tornar-se consciente perante a um objeto. Isso é o que temos como realidade, de nos virarmos a um fenômeno intencionalmente. Desta forma, quando dizemos que estamos conscientes de um objeto, devemos entender que estamos conscientes de algo na medida em que ele existe fora de mim.

A fenomenologia tem a intenção de manter as funcionalidades dos dois interlocutores de realidade – sujeito e objeto – mantendo a concepção funcional da consciência como fora apresentado. Pode-se compreendê-la como um processo de conhecimento concreto e filosófico – fundamentalmente ligado à vivência – e capaz de universalidade, através do particular. Assim, mudando a maneira com que era compreendida a noção de interioridade e exterioridade, podemos dizer que a fenomenologia funda a filosofia contemporânea."

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