"É através do
questionamento da existência que nos saímos bem sucedidos de uma análise sobre
a realidade humana. E é precisamente esse questionamento, que gera a angústia
existencial inerente à vida. O homem procura negar a sua realidade finita,
desviar sua atenção do fardo existencial, com a esperança de viver um pós-vida
hipotético. A natureza dos conflitos psíquicos se dá por uma maneira equivocada
de lidar com a angústia. Acabamos por negá-la e, assim, negando nosso potencial
- pois é existindo na angústia que podemos nos perguntar por nós mesmos de
forma mais autêntica e retomarmos nosso potencial.
Aquele
que realmente não se sentir perdido não tem perdão; quer dizer, nunca se
encontrará, nunca enfrentará a sua realidade. (ORTEGA apud BECKER, 2010, p.117).
A existência humana é
essencialmente paradoxal. O paradoxo existencial é de que precisamos de um tipo
de ‘renascimento psicológico’, que nos faça entender quão terrível e
angustiante é a nossa existência para podermos nos perceber de forma realmente
autêntica, mas ao mesmo tempo, essa percepção torna-se um fardo – o fardo de
existir -. Por mais que o ser humano viva em uma crescente, rumo a um ‘viver’
pleno, cada vez mais se aproxima do seu trágico e inevitável fim, a morte.
Kierkegaard afirma que a angústia é a
experiência fundamental do homem. O ser que existe no mundo, vive primeiramente
sujeito às suas escolhas. Um ser condenado à liberdade, sem quaisquer garantias
de qualquer natureza – muitas vezes buscando-as inutilmente em ideias
fantasiosas apoiadas por discursos religiosos, políticos etc. Cada escolha pode
levá-lo ao sucesso ou ao fracasso, ao bem ou ao mal à realização ou à
frustração."
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