terça-feira, 23 de abril de 2013

Existência Paradoxal




"É através do questionamento da existência que nos saímos bem sucedidos de uma análise sobre a realidade humana. E é precisamente esse questionamento, que gera a angústia existencial inerente à vida. O homem procura negar a sua realidade finita, desviar sua atenção do fardo existencial, com a esperança de viver um pós-vida hipotético. A natureza dos conflitos psíquicos se dá por uma maneira equivocada de lidar com a angústia. Acabamos por negá-la e, assim, negando nosso potencial - pois é existindo na angústia que podemos nos perguntar por nós mesmos de forma mais autêntica e retomarmos nosso potencial.

Aquele que realmente não se sentir perdido não tem perdão; quer dizer, nunca se encontrará, nunca enfrentará a sua realidade. (ORTEGA apud BECKER, 2010, p.117).

A existência humana é essencialmente paradoxal. O paradoxo existencial é de que precisamos de um tipo de ‘renascimento psicológico’, que nos faça entender quão terrível e angustiante é a nossa existência para podermos nos perceber de forma realmente autêntica, mas ao mesmo tempo, essa percepção torna-se um fardo – o fardo de existir -. Por mais que o ser humano viva em uma crescente, rumo a um ‘viver’ pleno, cada vez mais se aproxima do seu trágico e inevitável fim, a morte.
Kierkegaard afirma que a angústia é a experiência fundamental do homem. O ser que existe no mundo, vive primeiramente sujeito às suas escolhas. Um ser condenado à liberdade, sem quaisquer garantias de qualquer natureza – muitas vezes buscando-as inutilmente em ideias fantasiosas apoiadas por discursos religiosos, políticos etc. Cada escolha pode levá-lo ao sucesso ou ao fracasso, ao bem ou ao mal à realização ou à frustração."

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